quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Eu puxei minha madrinha

Por Marlon Vila Nova

Hoje faz exatamente um mês que você se foi. Eu não postei nenhuma homenagem nas redes sociais, não chorei lágrimas intermináveis no seu velório, não fiquei em completa depressão por sua partida. Nada disso significa que eu não tenha sentido dolorosamente saber que não te verei mais. Nada disso significa que eu ainda não sinta toda essa dor e saudade.
Por ironia do destino estávamos tão mais próximos nos últimos meses. Uma semana antes de você ser violentamente arrancada desse mundo, me mandou um áudio lindo me prometendo vir me visitar ano que vem. Você não virá mais, você nunca veio me visitar, nunca me abraçará depois de me assistir nos palcos como eu esperei que pudesse acontecer um dia, porque eu sei que você adoraria presenciar isso.
Eu chorei sozinho, chorei em minhas sessões de terapia, chorei quando pensava em você em momentos especiais. Mas eu não me mantenho chorando muito. Eu acredito que você preferiria que fosse assim. E eu aprendi com sua partida coisas maravilhosas a seu respeito que eu já admirava enquanto você estava viva, mas que não tinha parado pra pensar em como era legal você ser como era.
Eu me lembro de uma torta de chuchu que você fazia quando eu era criança. Várias vezes tinha essa torta quando ia almoçar na sua casa. Me lembro do seu bolo de milho, que foi uma receita que eu adorei e você, com carinho, me cedeu. Ela está no meu livro de receitas desde que ele foi criado e eu sempre tenho muito orgulho em dizer que é uma receita sua quando experimentam e dizem que o bolo é delicioso. Eu herdei algumas manias suas que eu acho bem legais. Até o jeito de dobrar o papel higiênico é o mesmo desde que eu tenho menos de 10 anos, e quem me ensinou foi você. Eu me lembro de como foi gostoso quando fui dançar com você no Lago uma noite em que passei um tempo em Anápolis e não tinha muito o que fazer. E, por incrível que pareça, eu não consigo me lembrar de você sem um sorriso no rosto. E eu adoro não ter essa lembrança. "Tira essa foto em que você está sério da sua página, Marlon. Você fica muito melhor sorrindo." E hoje eu entendo o que as pessoas querem dizer com isso. É tão gostoso você gostar de uma pessoa que vive sorrindo.
Dizem que os afilhados tendem a puxar as madrinhas e padrinhos. Eu sou meio espalhafatoso, exagerado, falo alto, aparecido, colorido e adoro dançar. Acho que, de verdade, eu puxei bastante você. E nada disso me incomoda, e eu valorizo cada uma dessas características. Sabe por quê? Porque eu sempre achei você o máximo e eu me orgulho imensamente de ser como você em tudo isso.
Ainda bem que eu te disse várias vezes que eu te amo. Detestaria que você tivesse partido sem saber disso. Mas eu acho horrível que você tenha partido sem que pudéssemos ter sido ainda mais próximos do que fomos, porque eu acho, de verdade, que você foi uma pessoa a se inspirar. Mas, de qualquer forma, você era assim, tão cheia de vida e energia, que mesmo quem não era tão próximo de você conseguiu aprender o quão importante é ser feliz acima de tudo.
E eu vou honrar essa sua felicidade. E toda vez que alguém me pontuar a respeito disso eu farei questão que saibam: Eu puxei a minha madrinha! Seja feliz, sempre, e onde quer que seja. Eu continuarei aqui o tempo que me permitirem viver honrando essa felicidade que foi sua, é minha, e espero que consigamos distribuir para tantos outros.
Amo você! Para sempre!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Vamos dar uma resolvida?

Por Vaidade

Me peguei hoje pensando em como seria o relacionamento ideal. Meu mês de outubro foi catastrófico e acabei me recolhendo e me questionando a respeito de certas prioridades pra mim. Mas o que importa é a pergunta que ficou e a resposta que me veio instantaneamente. Como seria o relacionamento ideal? A resposta: Aquele em que se resolve.
Eu explico. Um relacionamento é basicamente a convivência íntima (ou nem tão íntima assim) entre pessoas. Cada pessoa tem suas questões (para não dizer problemas), porque seria impossível não tê-las enquanto se é uma pessoa. Se estamos nesse plano, encarnados, vivos, é porque temos questões a ser resolvidas, trabalhadas, melhoradas. Isso não é ruim, simplesmente faz parte do nosso processo. Se decidimos vir aqui pra esse planetinha é porque nos prontificamos a transformar essas questões e evoluir enquanto pessoas, energia, espírito, alma, ou seja la o que você acredita.
Agora, se fica claro que temos (todos nós) nossos problemas pessoais, trazer uma outra pessoa para o seu convívio significa naturalmente trazer para a sua vida mais problemas. Ou seja, chegamos à conclusão de que relacionamentos são uma soma de problemas. E eu já me adianto em reiterar que isso não precisa ser, necessariamente ruim. Se estamos aqui para resolver e transformar nossos problemas, vamos então fazê-lo logo e acabar com isso.
Eu sei que esse texto vai um pouco contra os textos que postei até então, escrito por uma pessoa totalmente romântica e idealista. Mas eu já não tenho mais 20 anos, e com eles, vieram a chamada maturidade. Tenho percebido que o amor romântico, como nos foi vendido pela Disney e a indústria cinematográfica atrapalha um pouco nossa vida. Porque aquilo é muito lindo, nos emociona e nos faz querer um relacionamento perfeito como aquele. O problemas é que - como já foi escrito em um texto meu anos atrás - essas histórias tem o seu "the end" fixado no auge da história e dessa paixão. Não foi contado o que acontece depois do casamento da Cinderella, ou depois que a Fera volta a ser príncipe. Mas eu conto. Eles se deparam com os problemas um do outro. E como nos foi afirmado que eles "viveram felizes para sempre", significa que eles resolveram todos esses problemas. E é aí que está a questão.
A gente perde tempo demais idealizando uma pessoa que vai nos fazer felizes o tempo todo, que vai ser linda o tempo todo, que vai me fazer gozar o tempo todo e me fazer uma pessoa feliz o tempo todo. Mas a responsabilidade disso tudo não é da outra pessoa. Essa pessoa não vai querer fazer sempre o que você quer, não vai usar sempre o tom de voz que você quer, não vai transar com você toda vez que você quiser, apenas porque ela não precisa fazer nada disso. Ela pode fazer isso tudo se - e apenas se - ela quiser fazê-lo. E se ela quiser fazer alguma dessas coisas, que ótimo pra vocês dois que estavam nesse momento de sintonia maravilhoso. Mas caso esse serzinho não queira fazer algo, ou não queira falar algo, ou não queira estar perto de você agora, está tudo bem também. Nem tudo que as outras pessoas fazem estão sendo feitas com o intuito de te atingir. Porque - vamos lembrar - essa pessoa tem os problemas dela, e as questões dela, e a vida dela. Se por um acaso você achou alguém que consegue te ajudar a resolver os seus problemas, e ser companheiro, e te satisfaça sexualmente sempre que você espera que isso aconteça, que maravilha pra você. Mas só se essa pessoa fizer isso tudo coincidentemente porque quis e pôde fazê-lo, porque precisamos parar pra pensar que talvez essa pessoa esteja extrapolando os seus próprios limites pra te satisfazer e isso é muito bom pra você mas é destrutivo para o outro, e pior... insustentável. Uma hora essa corda arrebenta, as forças acabam, a vontade acaba. E aí você enxerga tudo desmoronando e culpa a outra pessoa por ela não ser mais quem era, quando na verdade você é que não enxergava que ela na verdade nunca foi essa pessoa. Que era tudo fruto de uma idealização sua e que estava se desdobrando pra te satisfazer até o momento em que não pôde mais. E está tudo certo. Porque, afinal, cada um veio aqui para resolver seus próprios problemas, e se os seus problemas estavam sendo resolvidos mas o do outro não, alguém aqui está saindo em débito nessa relação. E com um débito pessoal, que é horrível.
Então fica uma nota pessoal aqui que serve pra você também. Escolha um relacionamento onde se resolve. Se tem um problema, resolve. Se tem ciúme, conversa a respeito e resolve. Se não gosta da unha do pé do outro... RESOLVE. Porque esperar uma pessoa que não tenha problemas é idealismo impossível. As pessoas vão vir com questões que não combinam com o que nós esperávamos delas. E isso vai acontecer simplesmente porque elas são OUTRAS pessoas, e cada pessoa tem sua questões individuais, então, o relacionamento ideal é, com certeza, aquele em que se resolvem os problemas. Jamais o que não tem problemas, porque esse não existe.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Ele odiava ter virado adulto

Por Vaidade

Ele havia crescido cercado de todo amor que uma família poderia dar a uma criança. Desde cedo era elogiado por ser educado demais, comportado demais, inteligente demais, bonito demais... Cresceu sabendo que sempre teria apoio, inteligência e capacidade para conquistar seus objetivos. Mas nunca foi ensinado a perder.
Ele, que havia adquirido uma personalidade forte com pensamentos determinados e certeiros a respeito de suas escolhas. Sabia a todo tempo se adaptar e não via problema em recomeçar. Colecionava conhecimentos e habilidades em diversos segmentos profissionais, era uma pessoa cheia de talentos. Tinha sede de aprender e gostava de saber cada vez mais. Era especialista em adquirir, mas não sabia perder.
Despreparado e com sentimento de injustiça, quando as perdas começaram a surgir ele sofria. Sem perceber foi definhando em relação aos seus ganhos antigos. Sofreu durante meses quando seu cachorro, companheiro desde a infância, faleceu. Chorou durante dias com o acidente que levou inesperadamente aquele ator que ele gostava tanto. Não soube recomeçar quando, pela primeira vez, foi demitido ao invés de pedir demissão para iniciar uma nova oportunidade. E devastou-se quando seu namoro perfeito naturalmente acabou depois de tanto acúmulo de sinais ignorados de que caminhava para o fim.

A vida é feita de ciclos, ciclos são finitos. Uma criança pode ser ensinada que ao invés de ser uma pena o pirulito ter acabado, ele pode comemorar o quanto aquele pirulito estava gostoso. Uma garota devia agradecer seu cachorrinho ter descansado depois de tanto ter brincado com ela. Os cachorros vivem bem menos, e ele a acompanhou até o máximo que pôde. Um homem deve saber que portas são fechadas e abertas por você ou por outras pessoas. E que é função das portas serem passagens, e não gaiolas. E os relacionamentos, embora finalizados enquanto rotina, vão sempre durar para sempre, afinal uma pessoa que conviveu com outra nunca mais será finalizada em suas lembranças. As pessoas deviam aprender a lidar melhor com as perdas focando na gratidão pelo tempo que durou ao invés de pensar no vazio que o prosseguirá. As pessoas ainda precisam aprender. Ele ainda não aprendeu. Por enquanto, ele odiava ter virado adulto.

domingo, 2 de agosto de 2015

As últimas 30 horas

Por Marlon Vila Nova

E ele se foi de novo. E mais uma vez me deixou sozinho voltando pro meu canto, que ja é tão nosso, com um aperto na garganta de quem engole um choro que vai acabar saindo exagerado demais em algum momento que não será merecedor de tanto sofrimento.
Acredito que dessa vez o adeus não tenha sido para sempre, e é isso que me conforta agora. Pensar que vai valer a pena de novo como valeram as últimas 30 horas. Se isso vai me levar a algum lugar eu não tenho como saber, mas se o caminho me fizer feliz enquanto eu estiver indo... não é isso que é viver, não?

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Tudo que eu gostaria que fosse

Por Vaidade

Eu tenho escondido minhas esperanças e sonhos em um lugar que é invisível a qualquer pessoa que não saiba que eles continuam ao alcance das minhas mãos para caso eu precise novamente deles um dia. Há tanto tempo escondo de mim a possibilidade de ser feliz no amor que cheguei a acreditar em algum momento que era assim que deveria ser. Acabei me impedindo de aprender todos os benefícios que esse sentimento tem a oferecer. Hoje as coisas parecem mais claras, apesar de eu não enxergar nenhum brilho. Eu só preciso encontrar novamente um jeito de voltar a amar. E se eu decido abrir meu coração, acredito que no fundo eu espere encontrar você no final pra me receber.
Eu sei que não sou hoje a melhor aposta pra você. Eu sei que já desperdicei mais chances do que qualquer um merecia ter. Eu sei que opções melhores já apareceram e parecem surgir o tempo todo. Eu sei que por anos eu tenho tentado me convencer das mesmas velhas histórias de que eu estou bem e que tenho o suficiente pra ser feliz, mas aí você aparece e bagunça tudo o que eu tenho tentado me convencer de que era certo. E me faz ver com clareza que independente de como eu tente me convencer do contrário, eu continuo procurando pelo amor. E fica cada vez mais claro que o amor que eu procuro existe sim. E você está certo se diz que eu descobri tarde demais. Mas tarde demais pra quê? Porquê?
É dolorido pra mim saber que isso requer revirar feridas em você que pode ser que ainda doam. É horrível pra mim saber que você provavelmente fez promessas de não se permitir sofrer por mim de novo. E a verdade é que a única coisa que eu posso te garantir é que eu gostaria muito de tentar mais uma vez. Seria fácil eu te prometer que dessa vez te faria feliz, mas você também já percebeu que as coisas acontecem além da nossa vontade e poder. Não posso infelizmente te garantir que dessa vez vai ser pra sempre. Mas eu prometo que, nesse momento, é tudo que eu gostaria que fosse.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Pegadas

Por Marlon Vila Nova

E as ondas do mar apagavam suas pegadas
rápido demais,
antes que eu pudesse te alcançar...
você sempre um passo à frente,
e eu sempre com medo de correr até você.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A responsabilidade incoerente de se racionalizar o sentir

Por Marlon Vila Nova

O desejo de ter você de volta me tortura por não saber se meu coração é um egoísta insensível por te querer sob o risco de te ferir de novo, ou um sensível captador de oportunidades únicas de se ser finalmente feliz. O ruim de quando um coração grita alto assim é que a cabeça acaba por ouvir e decidir travar uma guerra por prevenção. Seguir o coração, embora pareça ser sempre a opção que mais alivia, nos torna conscientes da responsabilidade de ter ignorado os avisos de perigo emitidos pela razão.
Eu só queria poder garantir que você não vai sofrer. Mas a única garantia que posso dar é de que eu não quero que você sofra.
Ah...! Pobre de mim por te querer bem melhor que a mim. Mais fácil seria se tivesse nascido com o egoísmo insensato dos que vivem por impulso, ou com a objetividade corajosa dos dominados pela razão. Tinha que ser eu o abrigador de duas forças tão fortes que acabam por brigar eternamente sem que a guerra defina finalmente um vencedor?
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