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domingo, 2 de agosto de 2015

As últimas 30 horas

Por Marlon Vila Nova

E ele se foi de novo. E mais uma vez me deixou sozinho voltando pro meu canto, que ja é tão nosso, com um aperto na garganta de quem engole um choro que vai acabar saindo exagerado demais em algum momento que não será merecedor de tanto sofrimento.
Acredito que dessa vez o adeus não tenha sido para sempre, e é isso que me conforta agora. Pensar que vai valer a pena de novo como valeram as últimas 30 horas. Se isso vai me levar a algum lugar eu não tenho como saber, mas se o caminho me fizer feliz enquanto eu estiver indo... não é isso que é viver, não?

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Tudo que eu gostaria que fosse

Por Vaidade

Eu tenho escondido minhas esperanças e sonhos em um lugar que é invisível a qualquer pessoa que não saiba que eles continuam ao alcance das minhas mãos para caso eu precise novamente deles um dia. Há tanto tempo escondo de mim a possibilidade de ser feliz no amor que cheguei a acreditar em algum momento que era assim que deveria ser. Acabei me impedindo de aprender todos os benefícios que esse sentimento tem a oferecer. Hoje as coisas parecem mais claras, apesar de eu não enxergar nenhum brilho. Eu só preciso encontrar novamente um jeito de voltar a amar. E se eu decido abrir meu coração, acredito que no fundo eu espere encontrar você no final pra me receber.
Eu sei que não sou hoje a melhor aposta pra você. Eu sei que já desperdicei mais chances do que qualquer um merecia ter. Eu sei que opções melhores já apareceram e parecem surgir o tempo todo. Eu sei que por anos eu tenho tentado me convencer das mesmas velhas histórias de que eu estou bem e que tenho o suficiente pra ser feliz, mas aí você aparece e bagunça tudo o que eu tenho tentado me convencer de que era certo. E me faz ver com clareza que independente de como eu tente me convencer do contrário, eu continuo procurando pelo amor. E fica cada vez mais claro que o amor que eu procuro existe sim. E você está certo se diz que eu descobri tarde demais. Mas tarde demais pra quê? Porquê?
É dolorido pra mim saber que isso requer revirar feridas em você que pode ser que ainda doam. É horrível pra mim saber que você provavelmente fez promessas de não se permitir sofrer por mim de novo. E a verdade é que a única coisa que eu posso te garantir é que eu gostaria muito de tentar mais uma vez. Seria fácil eu te prometer que dessa vez te faria feliz, mas você também já percebeu que as coisas acontecem além da nossa vontade e poder. Não posso infelizmente te garantir que dessa vez vai ser pra sempre. Mas eu prometo que, nesse momento, é tudo que eu gostaria que fosse.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A responsabilidade incoerente de se racionalizar o sentir

Por Marlon Vila Nova

O desejo de ter você de volta me tortura por não saber se meu coração é um egoísta insensível por te querer sob o risco de te ferir de novo, ou um sensível captador de oportunidades únicas de se ser finalmente feliz. O ruim de quando um coração grita alto assim é que a cabeça acaba por ouvir e decidir travar uma guerra por prevenção. Seguir o coração, embora pareça ser sempre a opção que mais alivia, nos torna conscientes da responsabilidade de ter ignorado os avisos de perigo emitidos pela razão.
Eu só queria poder garantir que você não vai sofrer. Mas a única garantia que posso dar é de que eu não quero que você sofra.
Ah...! Pobre de mim por te querer bem melhor que a mim. Mais fácil seria se tivesse nascido com o egoísmo insensato dos que vivem por impulso, ou com a objetividade corajosa dos dominados pela razão. Tinha que ser eu o abrigador de duas forças tão fortes que acabam por brigar eternamente sem que a guerra defina finalmente um vencedor?

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Amor à Vida

Por Marlon Vila Nova

Hoje a rede Globo quebrou um tabu da própria emissora e, no último capítulo de Amor à vida, exibiu o primeiro beijo gay da história das novelas da emissora. Uma cena linda que, para surpresa de muitos que esperavam comentários de repulsa, ouvia-se gritos, comemoração e até foguetes, como se o time preferido tivesse feito um gol. A cena gerou um alvoroço e foi muito elogiada, mas não foi o que mais tocou as pessoas nesse último capítulo da novela.
Como desfecho principal da trama, os personagens César e Félix, interpretados por Antônio Fagundes e Mateus Solano respectivamente, protagonizaram o que foi considerado por muitos o final mais bonito de todas as novelas já vistas. Particularmente entendo o motivo. Na cena, o filho que sempre foi claramente rejeitado pelo pai e que veio a cometer atos de intensa maldade por conta dos problemas psicológicos que essa gerou, consegue vencer uma luta interna e dizer ao pai que o ama. Em resposta, o pai - que sempre maltratava o filho em suas tentativas de demonstração afetiva - responde que também o ama. O fim da novela, com um close dos dois de mãos dadas ao som da sinfonia número cinco de Mahler, na praia, de frente pro Sol, arrancou lágrimas de grande maioria do público que assistia.
É fato que grande parte do público que assistia ao último capítulo era de gays ansiosos pelo tão esperado beijo. Por esse motivo, grande parte do público se emocionou tanto com a cena entre pai e filho. Não posso dizer por todos, mas acredito que, como eu, muitos sofrem o mesmo problema de relacionamento com seus pais. Aquilo não foi bonito só porque conhecíamos os personagens e sabíamos da dificuldade e do significado daquele gesto, mas porque conhecemos nossos próprios pais e sabemos como queríamos ouvir aquilo deles.
Era o final da minha formatura em 2005, no final da festa eu estava tão bêbado quanto meu pai. Nunca tinha dançado com ele antes, ele nunca tinha me abraçado tanto como naquele dia, nunca tinha o visto tão feliz comigo. Ele estava tão orgulhoso de mim e eu tão feliz por poder lhe proporcionar aquilo. No final da festa, eu acabei brigando com uma colega de turma e ele veio em minha defesa. Acabamos os dois chorando, abraçados. "Eu te amo, pai!", eu disse. "Eu também te amo, meu filho!", ele respondeu. E eu não parei mais de chorar até adormecer naquele dia. Não sei se ele se lembra disso. Nunca mais falamos a respeito. Tenho pra mim que ele não se lembra. E isso me faz pensar que ele provavelmente não tenha nenhuma memória dele dizendo que me ama, e nem minha dizendo que o amo.

E por isso essa cena de hoje me deixou engasgado, com um nó na garganta, que só vai sair quando eu chorar tudo de novo. E por isso tanta gente foi tocada e esse final foi tão lindo. Porque mostra duas pessoas que se amam, se aceitando, se despindo de escudos, e libertando esse amor que ficava preso, sufocando a alma. E é tão lindo ver tudo que escreveram e disseram sobre o último capítulo. E eu sei que esse sucesso todo se deve ao fato do final ter sido puro amor. E as pessoas andam muito carentes disso. Amor.
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