segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Bom dia, amigo!

Por Ira

Acordar hoje recebendo um "amigo" em resposta ao meu bom dia foi mais doloroso do que eu pensava. Eu havia previsto que seria assim. Já tinha comentado com você. Mas você disse que dessa vez não. Que já havíamos passado isso vezes demais com outras pessoas e que agora, nós dois, juntos, iríamos mudar nosso destino. Eu já estava começando a acreditar no "nosso" do destino quando sua resposta veio: "bom dia pra você também, amigo!".
A dor literalmente física não é o que mais incomoda. Me incomoda saber que era verdade. Que realmente nós dois teríamos o "nosso" destino da forma como sempre sonhamos se estívessemos juntos. Mas só se não tivesse aparecido outro. Se...
O problema dessa época em que resolvi viver é que as pessoas não confiam mais nos relacionamentos. Não apostam mais no que sentem. Se você tivesse acreditado que ia dar certo e tivesse apostado nisso, não teria ficado com outro. Se eu tivesse apostado que daria certo não estaria com outro quando minha amiga me ligou, teria atendido a ligação me chamando de última hora pra ir pro Rio, teria ido, passado o final de semana com você, que não conheceria o outro e sua mensagem de bom dia não viria com um "amigo" depois da vírgula. Mas eu não apostei o suficiente. E você também não.
Agora você acha que as chances de ser feliz com ele são maiores do que comigo. E eu não acho mais nada.
Eu sei que tudo isso vai passar, que eu vou esquecer, vou superar e voltar a acreditar em tudo que eu acreditava antes. Mas ainda vai demorar um pouco. Por enquanto eu só queria não ser eu hoje. Eu espero que esse cara te faça bem mais feliz do que ele está me fazendo triste agora. Senão não vale a pena acreditar em mais nada. Um beijo!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

RJ x SP

Por Marlon Vila Nova

Dizem que, quando menos se espera, somos surpreendidos com o que procurávamos anteriormente. E como agir quando se está diante dessa possibilidade? O que fazer quando, ao tocar dos lábios, antes mesmo das línguas se encontrarem, duas bocas já se reconhecem necessárias... mas têm que conviver a quilômetros de distância?

domingo, 18 de setembro de 2011

Fast-food

Por Gula

Ele saiu com fome de gente.
Como qualquer faminto, aproveitou o que pôde de todo o banquete e voltou pra casa mais vazio do que antes... do que nunca.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Tem alguém aí?

Por Gula

Tenho uma dificuldade profunda em entender as pessoas. E acho que isso se deve ao fato de eu ser um profundo conhecedor das pessoas. Eu as conheço tanto que me incomoda entender porque agem de forma tão estranha.
As pessoas se sabotam, se inventam, se esquivam... de quem? Pra quê? Eu vivo agora um momento de carência de profundidade. Na verdade sempre fui meio guloso no sentido de absorver o máximo das coisas, mas me mantinha extremamente paciente com as superficialidades. Elas não andam me atraindo mais. Isso vira um problema grande quando você percebe que está cercado por uma profundidade bem rasa.
Ando com uma vontade incontrolável de gente. De convivência. De vivência intelectual. Nao ter onde me satisfazer anda me deixando mal-humorado. De repente você percebe que suas atitudes começam a ser encaradas com desconfiança.
Eu me sinto sozinho no mundo tentando encontrar companhia.
_ Oooooooiii?! Tem alguém aííííííí?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Deixa!

Por Marlon Vila Nova

Época de aniversário é sempre igual, né? A gente começa a se preocupar com a idade e rola aquela retrospectiva afim de descobrir se tivemos alguma importância real pro mundo. A nóia da vez foi a respeito da minha vida sentimental. Parei pra pensar no que mudou. Mudou coisa pra caramba. Na adolescência eu fui apaixonado pela minha primeira namorada por mais ou menos um ano até conseguir um beijo dela. Eu enviava cartas, ligava sempre, acompanhava até em casa depois da aula, convidava pra passear nos finais de semana... só depois consegui um beijo e só depois consegui namorá-la. A segunda namorada a mesma coisa. Nós nos conhecemos, ficamos, ela voltou com o ex, eu continuei apaixonado, ela continuou sabendo, eu continuei querendo que ela soubesse, ela terminou e nós voltamos no dia do aniversário dela, quando eu enviei flores pra ela na sala de aula.
Depois disso parece que mudou drasticamente tudo. Nunca mais consegui ficar de fato com alguém que eu tenha me apaixonado. Sou amigo de quase todos, mas... o que houve que me impede de conseguir ficar com as pessoas? Acabei descobrindo que eu nunca mais me apaixonei de fato como eu me apaixonava na adolescência. E que ninguém hoje em dia se apaixona de fato como eu me apaixonava na adolescência. E o motivo é tão ridículo.
Eu comecei a medir as últimas pessoas interessantes que passaram por mim e o motivo de não estarmos mais juntos. O motivo é quase o mesmo, sempre. Ele sumiu.
E por que raios eu permiti esse sumiço? Me lembrei de que todas as vezes eu pensava "poxa, que pena, fulano sumiu!", ou algo assim.
Hoje em dia as pessoas se conhecem pelo beijo. Depois, perguntam o nome, depois conhecem o sexo. E depois não têm mais nada pra conhecer. Continuando minha retrospectiva, lembrei que perdi pessoas incríveis por preguiça de continuar. Ou pior, por achar que a outra pessoa não me queria mais e parei de "incomodar" quando, na verdade, a outra pessoa pode estar simplesmente se adaptando a essa loucura que se tornou a vida sentimental do mundo sem nem pensar na possibilidade de eu estar daqui querendo mais também.
Enquanto as pessoas deixarem o piloto automático tomar a direção dos sentimentos, ninguém nunca vai conseguir fazer caminhos diferentes. Só vão sobrar os relacionamentos que existirem por coincidência, não por vontade.
Se você nao tiver vontade, eu vou saber entender. Mas se não for isso, me deixa tentar fazer você gostar de mim de novo. Deixa!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Para Ele

Por Marlon Vila Nova

Eles nunca foram exatamente amigos. A mãe diz que, quando o menino nasceu, ele era o homem mais feliz do mundo. Brincava com o garoto o dia todo. Não se sabe exatamente quando começaram a não ser mais felizes juntos. Talvez tenha sido porque, como ele disse um dia, o menino tenha se descoberto "diferente".
O menino cresceu com esse afastamento e pouquíssimas lembranças de afeto existem na memória dele. Cresceram com o costume de, apesar de conviverem juntos, não se relacionarem. Nos aniversários do menino ele sempre o parabenizava, mas o garoto sempre soube que era a mãe que o lembrava da data. Ele sempre perguntava pro garoto quantos anos ele estava fazendo e dizia: "Mas ta velho, heim?". O garoto sempre respondia: "Velho está você que tem um filho ficando velho." E riam juntos.
Ele não tinha o costume de presentear. Sempre disse que era desnecessário já que o menino era presenteado diariamente com roupa, casa e comida. Mas o garoto nunca se esqueceu de que ganhou uma bicicleta de Natal quando era criança. Foi a primeira bicicleta dele.
O garoto cresceu, se mudou de cidade pra estudar e o relacionamento dos dois ficou ainda mais distante. A última vez que se viram e se falaram foi no natal do ano passado. E já estavam em julho.
Quando o garoto acordou com a mãe informando do acidente dele, achou que fosse desmaiar. Por um segundo, o chão pareceu não existir mais. Estranho. Ele não sabia que aquele sentimento forte por ele ainda existia. Durante o dia, lembrou do sorriso no dia da bicicleta. Lembrou das risadas no telefone no dia dos aniversários. Lembrou de como ele estava feliz e dançava sozinho na pista no dia da formatura do garoto. Tão orgulhoso!
"Graças a Deus ele não se foi!" - pensava o menino chorando em silêncio e percebendo o amor que, mesmo adormecido em mágoas, ainda existe por ele.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Um dia frio

Por Preguiça

Os dias andam cada vez mais frios. Eu gosto do frio. Mas não gosto de sentir frio. Gosto de me aquecer no frio. Mas anda tão frio. Seria bem mais fácil me aquecer com outro corpo, já quente.
Eu visto 3 blusas. E touca. E cachecol. E luvas, eu tenho as mãos muito geladas. Eu esquento a comida bastante antes de comer. Como bem rápido pra não esfriar. As coisas são mais difíceis no frio. Levantar é torturante. Lavar o rosto é torturante. Escovar os dentes dói. Levar bronca desestimula. Tudo dói mais no frio.
Hoje o dia foi tão legal. Tava mais frio que o normal, mas eu dancei. Tanto! Ressuscitei do bolso esquecido da mochila, meu ipod. No metrô um ballet vencia em altura o som dos meus fones. Era um querido dançando O Corsário. Tão lindo! No vagão o loiro bonito se levantou pra moça se sentar. Tão cortês! No fim do dia uma visita agradável e um filme que me faz verter em lágrimas diante de puro romance. Tão emocionante!
É engraçado como a vida se encarrega de compensar os contratempos que ela própria provoca.
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