segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Organismos desordenados

Por Luxúria



Lendo o blog de um querido (Cleyton) li o seguinte: "Namorar tá difícil... E eu ando com preguiça pra sexo casual e sem paciência pra gente mais ou menos."

Concordei de imediato. Namorar está cada vez mais difícil. E quanto ao sexo casual... bem, essa parte eu não conheço muito bem. Mas já perdi completamente a paciência com "gente mais ou menos".

Nesse reveillon quis virar o ano de cueca rosa. Comprei uma. Linda. Tudo pra ver se a sorte da virada do ano me ajuda a arrumar um amor de verdade. Nem que seja pra eu poder morrer dizendo que vivi um.

A frase do Cleyton martelou bastante em minha cabeça essa semana. O amor ta complicado e isso eu já percebi há tempos. Mas e o tal sexo casual? Comecei a me sentir estranho por nunca ter sido tão sexualizado quanto meus amigos sempre foram.

Lendo uma revista mensal voltada para o público gay, li hoje a tarde uma reportagem onde repórteres da revista experimentavam sites de relacionamentos (lê-se pegação) e escreviam suas experiências. Decidi experimentar. Depois de um tempo em uma sala de bate papo acabei indo parar em um apartamento na República.

Todo o esforço para me parecer mais familiarizado com aquela situação inédita foi desnacessário. A noite foi absolutamente incrível. Tudo aconteceu de uma forma muito natural, provavelmente pela experiência do anfitrião em receber convidados noturnos.

Uma conversa pré-sexual agradável nos conduziu à atração mútua. Algum tempo depois conversávamos sobre seriados de TV como amigos de infância - se desconsiderar o fato de que estávamos nús. Me senti um pouco Michael Pitt em The Dreamers. Discutimos de política a cinema.

Tudo que eu tinha fantasiado foi surpreendentemente diferente. E bom. Conversamos durante mais de uma hora e descobri uma pessoa interessantíssima, culta, inteligente, bonita... e desacreditada no amor. O que nunca deixa de me entristecer.

"Relacionamentos são organismos desordenados" - disse. "Jamais vai haver um equilíbrio, e por isso nunca vão dar certo. Um sempre vai amar mais que o outro e sempre vai chegar mais alguém que vai trazer consigo o fim."

No final da noite, volto pra casa feliz por ter ocorrido tudo bem na minha primeira aventura "cibernética-real", mas meio desapontado em perceber que, se só eu continuar acreditando que duas pessoas podem ser felizes juntas, vou ter que acabar desenvolvendo uma bipolaridade pra conseguir feliz com outra pessoa, nem que essa pessoa seja eu mesmo.

4 comentários:

PedroPeter disse...

"o que eu quero é amar
nem que o amor não seja eu"
- djavan

rossanademarchi disse...

UAU!

DiNhO disse...

Choquei! :O

Cleyton Cabral disse...

É Freud, meu filho.

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