quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Beijo suado

Por Luxúria

Ele vem todo de branco, me abraça, e me beija até ficar transparente.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Amor à Vida

Por Marlon Vila Nova

Hoje a rede Globo quebrou um tabu da própria emissora e, no último capítulo de Amor à vida, exibiu o primeiro beijo gay da história das novelas da emissora. Uma cena linda que, para surpresa de muitos que esperavam comentários de repulsa, ouvia-se gritos, comemoração e até foguetes, como se o time preferido tivesse feito um gol. A cena gerou um alvoroço e foi muito elogiada, mas não foi o que mais tocou as pessoas nesse último capítulo da novela.
Como desfecho principal da trama, os personagens César e Félix, interpretados por Antônio Fagundes e Mateus Solano respectivamente, protagonizaram o que foi considerado por muitos o final mais bonito de todas as novelas já vistas. Particularmente entendo o motivo. Na cena, o filho que sempre foi claramente rejeitado pelo pai e que veio a cometer atos de intensa maldade por conta dos problemas psicológicos que essa gerou, consegue vencer uma luta interna e dizer ao pai que o ama. Em resposta, o pai - que sempre maltratava o filho em suas tentativas de demonstração afetiva - responde que também o ama. O fim da novela, com um close dos dois de mãos dadas ao som da sinfonia número cinco de Mahler, na praia, de frente pro Sol, arrancou lágrimas de grande maioria do público que assistia.
É fato que grande parte do público que assistia ao último capítulo era de gays ansiosos pelo tão esperado beijo. Por esse motivo, grande parte do público se emocionou tanto com a cena entre pai e filho. Não posso dizer por todos, mas acredito que, como eu, muitos sofrem o mesmo problema de relacionamento com seus pais. Aquilo não foi bonito só porque conhecíamos os personagens e sabíamos da dificuldade e do significado daquele gesto, mas porque conhecemos nossos próprios pais e sabemos como queríamos ouvir aquilo deles.
Era o final da minha formatura em 2005, no final da festa eu estava tão bêbado quanto meu pai. Nunca tinha dançado com ele antes, ele nunca tinha me abraçado tanto como naquele dia, nunca tinha o visto tão feliz comigo. Ele estava tão orgulhoso de mim e eu tão feliz por poder lhe proporcionar aquilo. No final da festa, eu acabei brigando com uma colega de turma e ele veio em minha defesa. Acabamos os dois chorando, abraçados. "Eu te amo, pai!", eu disse. "Eu também te amo, meu filho!", ele respondeu. E eu não parei mais de chorar até adormecer naquele dia. Não sei se ele se lembra disso. Nunca mais falamos a respeito. Tenho pra mim que ele não se lembra. E isso me faz pensar que ele provavelmente não tenha nenhuma memória dele dizendo que me ama, e nem minha dizendo que o amo.

E por isso essa cena de hoje me deixou engasgado, com um nó na garganta, que só vai sair quando eu chorar tudo de novo. E por isso tanta gente foi tocada e esse final foi tão lindo. Porque mostra duas pessoas que se amam, se aceitando, se despindo de escudos, e libertando esse amor que ficava preso, sufocando a alma. E é tão lindo ver tudo que escreveram e disseram sobre o último capítulo. E eu sei que esse sucesso todo se deve ao fato do final ter sido puro amor. E as pessoas andam muito carentes disso. Amor.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Trocar ou consertar?

Por Luxúria

"No meu tempo a gente consertava as pessoas, hoje em dia vocês só trocam." Ouvir essa declaração enquanto assistia a um filme no cinema, me trouxe à tona um pensamento que já havia tido recentemente. De fato as pessoas hoje em dia escolhem seus relacionamentos como em um menu onde, já que tudo está exposto, é só pegar aquele que parece ser o perfeito. Mas aí, apesar do corpo, por mais próximo que pareça da perfeição, vem a conversa e o interior - não visível - da outra pessoa. E aí algo não bate e... próximo!
Vejo meus amigos e conhecidos se "relacionando" diariamente com pessoas que conhecem através de aplicativos de celular onde o objetivo já é claramente sexual e a conversa se baseia basicamente nessa finalidade. Fotos são trocadas e cada um já conhece a intimidade do outro antes de saber sequer a profissão.
A ordem está completamente invertida, uma vez que, na época de nossos pais, esse era o último passo pro relacionamento. Era uma espécie de prêmio por merecimento, conquistado após conhecer a pessoa de todas as outras formas e decidir que queriam ficar juntos. À essa altura, o outro ter uma barriguinha ou partes do corpo menos avantajadas não faziam mais tanta diferença. Ambos já se queriam de alguma forma maior.
Não me arrisco em dizer que era melhor do jeito deles, ou se é melhor do "nosso". Dizem que a ordem dos fatores não altera o produto. Será que as regras aplicadas à Matemática são também usadas nos relacionamentos? Acredito que poderia até ser, se as pessoas ainda se interessassem mais em somar do que em dividir tudo.
Mesmo as pessoas que não cederam a essa nova modalidade que virou a vida sexual da juventude atual, até que ponto vale a pena investir e tentar "consertar" a outra pessoa como sugeria a personagem do filme? As pessoas acabaram por se acostumar a esse novo estilo e às facilidades de ter outras opções disponíveis para sair experimentando tudo até se decidirem. Mas quem consegue se decidir de verdade por um pedaço de bolo de chocolate em uma vitrine com tantas opções de sabores de uma confeitaria incrível? São Paulo é como uma confeitaria incrível dessas, e ninguém nunca vai ser bom o suficiente diante de tantas opções diferentes a se provar. A não ser que alguém decida que já comeu o suficiente.

sábado, 12 de outubro de 2013

Uma garrafa de vinho, amendoins e sua ausência

Por Luxúria

Engraçado como meus estímulos sexuais vão mudando com o tempo. Antigamente era o corpo, músculos, um sorriso de príncipe e um olhar de cafajeste. Hoje, meia garrafa de vinho e uma porção de amendoins japoneses estão servindo, já que tenho que lidar com sua ausência.
Enquanto a televisão vai ficando opaca por conta da garrafa de vinho já ter passado da metade, você vai ficando cada vez mais claro nos meus pensamentos. E vai ficando mais claro que meus desejos não mudaram nada. Me pego pensando em como sua língua me arrepiava quando tocava a minha e em como seu corpo grande e se encaixava no meu. Lembro dos músculos do seu braço quando minhas mãos percorriam por eles pra chegar na sua nuca e te puxar pro meu beijo. E seus olhos - lindos - se fechando quando minha boca se aproximava da sua.
Eu sei que você já tinha essa viagem pra praia agendada antes de me conhecer, mas apesar de saber que aí tem muitos homens mais bonitos e com bem menos roupa que eu, vê se não me esquece, vai. E me avisa se eu deixo esse resto de vinho pra tomar com você ou se preparo minha vida inteira pra te receber.
De qualquer forma vai ser um prazer.

domingo, 15 de setembro de 2013

Queria que você tivesse ficado pelo menos pra sempre

Por Luxúria

Você foi embora e deixou uma angústia, algo parecido com aquela depressãozinha que sentimos ao voltar de uma viagem que foi muito boa. Queria que você tivesse ficado pelo menos pra sempre. Foi tanto tempo longe que agora, que você veio, fico com medo de você ir de novo. Não arrumei a cama, nem pus o short que você dormiu pra lavar. Cheiro meu corpo em busca do seu perfume e me acaricio como em devoção à última coisa que você tocou.
_ Te encontrar foi tão bom que custo a acreditar que te reencontrar possa ser tão melhor. Fica, dessa vez.

sábado, 10 de agosto de 2013

Doa a quem doer

Por Avareza

Sofrer é fundamental. A gente cresce mais na dor. Não é exatamente um estado agradável ou desejável pra ninguém. Mas é dele que tiramos as maiores lições. Em seus momentos mais felizes você não para pra refletir no porque de estar se sentindo dessa forma. Quando estamos tristes, tentamos entender o motivo, dói, pensamos a respeito mesmo que contra nossa vontade. Olhamos pra dentro. A atenção se volta pra nós mesmos, alguém que é geralmente tão menosprezado por quem mais deveríamos dar importância... nós mesmos.
Felicidade nos faz olhar pra fora, pro alvo, pros outros, pro céu, pra qualquer coisa que seja... felicidade clareia. A tristeza escurece tudo ao nosso redor e acende um foco só em cima de nossas próprias cabeças.
Por isso eu desejo que você sofra, meu amor. Todo sentimento deve ser respeitado e a tristeza, a dor, não devem ser menosprezadas. Sofra, gaste todo esse sentimento que agora te faz tão mal e me faz pior em te ver assim. Mas você precisa crescer, e eu resisto sem interferir te estendendo uma mão que seria inútil agora, pois sei que você sairá mais forte, mais maduro... e mais pronto pra mim.
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