domingo, 29 de agosto de 2010

Mulheres perfeitas

Por Marlon Vila Nova

Recentemente fui surpreendido por um amigo, que está realizando uma pesquisa, sobre como seria, na minha opinião, uma mulher perfeita. Só então eu parei pra pensar que essa pergunta nunca me havia sido feita, ou talvez eu nunca tivesse tentado responder sinceramente a uma pergunta como essa. Me saí da situação desconversando e mudando o assunto da conversa. Meu amigo ficou sem resposta, mas eu fiquei com uma pergunta que não me saía mais da cabeça.
Na última sexta-feira, em uma momento completamente comum da minha rotina, eu olhei pra uma das mulheres da minha vida e enxerguei ali, sentada em um sofá, já cansada de uma noite de balada, a resposta pra pergunta que havia me sido feita há alguns dias. Eu consegui apenas dizer "eu te amo" e beijá-la no rosto antes de me virar e sair de perto para que ela não percebesse as lágrimas que tomavam meus olhos. E, de repente, eu fui tomado por essa emoção estranha tão inesperadamente que quis fugir de mim. E fugi.
Ainda não sei porque me emocionei tanto com um fato que eu já conhecia, mas agora sei a resposta pra pergunta que meu amigo me fez. Percebi que, no dia em que a pergunta havia sido feita, eu não consegui responder porque tentei encontrar características que uma pessoa perfeita deveria ter, sem me atentar ao fato de que precisaria apenas descrever características de quem eu já conheço.
Uma mulher perfeita é aquela que acorda todos os dias disposta a realizar um sonho. É aquela que não sai de casa sem se olhar no espelho, que se preocupa com cada peça de roupa, e com a maquiagem, e com o cabelo. É aquela que enfrenta de cabeça erguida todas as limitações que a vida insiste em colocar no seu caminho. É aquela que nunca tem roupa pra nada, que sai sempre querendo estar melhor do que está, e que está sempre mais linda do que as outras simplesmente porque seu sorriso fica perfeito com qualquer roupa quando me vê. A mulher perfeita é perfeita porque me liga bem quando eu penso nela. É perfeita porque não deixa de aproveitar um lindo dia de Sol. Ela é perfeita porque sabe falar o que deve ser dito e quando precisa ser dito. E é perfeita porque simplesmente sorri pra você e não diz nada, quando não tem o que ser dito. É perfeita porque saberia cuidar de um cachorro com o mesmo amor que cuidaria de um filho, mesmo quando ela nem gosta de cachorro. É perfeita porque ela abre mão de seu fim de semana pra ajudar alguém que precisa e transforma isso em um programa extremamente agradável.
O mais importante é que a mulher perfeita nem desconfia que é perfeita. E ela é perfeita porque tem defeitos, exatamente porque seria humanamente imperfeito não tê-los.
Agora eu sei que existe sim a mulher perfeita. E não só uma. Elas estão ao redor de pessoas que não percebem a presença delas. E elas vão se recusar a confessar sua perfeição a você. Por isso, o jeito mais fácil de identificá-las é estando de olho em mim. Eu estou sempre ao lado de uma delas. Sempre.

domingo, 15 de agosto de 2010

A Psicologia do medo

Por Ira

Tenho trabalhado em contato direto com o medo. Em provocá-lo. Ter o poder de dominar um sentimento como esse em outra pessoa gera descobertas interessantes. É interessante como dá pra descobrir tanto sobre alguém através de um simples olhar.
Existem pessoas que riem diante de seus medos numa tentativa de se convencer de que naõ precisam sentir medo, existem os que o evitam, existem os que fingem que ele não existe, existem os que não sabiam que tinha medo, existem os que gostam de sentir medo, existem os que o encaram de frente, dispostos a lutar... mas quase ninguém tem forças pra ir até o fim.
O medo é um temor pelo desconhecido. É sua mente construindo uma tragédia geralmente bem menor que a real. É seu corpo querendo que você fuja daquilo que você imagina poder prejudicá-lo.
Todos nós tememos alguma coisa algum dia. E, cada vez mais, somos forçados a não temer. Esperam coragem de nós. Ter medo é sinal de fraqueza. Como se alguém pudesse, de fato, não ter medo de nada, nunca. Como se coragem fosse não ter medo. Não tem nada de corajoso em fazer algo que não se teme.
No fundo, tudo o que nós tememos é a mudança. Morrer, perder o emprego, perder alguém, se machucar... tudo que nos muda, de alguma forma, assusta...
Vale a pena se manter o mesmo pra sempre?


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Aparências

Por Vaidade

Ele tinha vários modelos daquilo que chamavam de felicidade. Como em um guarda roupa lotado, ele dispunha de tudo que se precisa pra se apresentar da melhor forma aos olhares alheios. E era assim que era visto. Vestido impecavelmente com seu melhor modelo de felicidade.
Ninguém jamais notaria que ele cresceu de tal forma distorcida que aquela felicidade nao lhe cabia mais.
Ninguém jamais notaria...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Enquanto dormia

Por Marlon Vila Nova

Aquela festa foi incrível. Há muito tempo aquele grupo não se divertia tanto. Menos para uma pessoa, que praticamente não tinha participado da festa, mantendo-se encolhido próximo ao pé da escada. Seu nome era Marcos, o único sozinho naquele monte de casais que se formaram. Era sempre assim. Marcos sempre acabava sozinho cuidando de seus amigos, que sempre exageravam demais no consumo de chá gelado de champignon. Nunca se esquecera do episódio em que teve que limpar todo o banheiro onde Tiago, seu melhor amigo, vomitara no chão, já que o vaso sanitário entupiu porque um gato se afogou nele.
Marcos já estava cansado, ele próprio havia bebido muito chá gelado de champignon essa noite. O melhor momento foi quando todos decidiram fazer uma vaquinha e com o dinheiro pediram várias pizzas de atum com groselha. Ele sabia que em breve Tiago o chamaria pra ir embora.
Ele tinha que trabalhar cedo demais no dia seguinte e não se sentia tão bem para ir sozinho. Marcos consertava carruagens e barcos voadores, mas ele próprio nunca possuíra nenhum dos dois. Só tinha um unicórnio velho que herdara de seu pai há cinco anos.
Quando finalmente Tiago decidiu ir embora, Marcos acabou dormindo no barco voador dele. Ao acordar, percebeu que estava a duas estrelas mais distantes do que a que ele morava. Tiago tinha desviado do caminho para passar na casa da namorada dele, o problema é que Marcos percebeu que já tinha perdido seu dia de trabalho. Ele estava tão nervoso com Tiago que nem percebeu que estava numa catacumba, com cadáveres flutuando num líquido viscoso e vermelho.
E foi então que Marcos, ao ver que nada podia ser feito, lembrou-se de um documentário sobre os ursos que hibernam no inverno e decidiu dormir ali mesmo, associando o frio que fazia ao documentário.
Foi logo em seguida que entrou na catacumba um lobisomem sem braços com o cadáver de Tiago nos dentes.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A moeda

Por Avareza

Bruno cresceu em um mundo encantado. Príncipes, princesas, monstros e sapos rodeavam sua rotina diária com tal naturalidade que nunca se deu conta da existência desse outro mundo. Considerava o mundo que chamavam de real um mundo habitado predominantemente por bruxos, o que o fazia sentir repulsão.
Mas, como cresceu sendo criado como um príncipe, ele sabia que teria, um dia, que enfrentar bruxos pelo caminho. E assim, como um príncipe corajoso que havia sido educado para ser, ele enfrentava cada bruxo que por ventura resolvia desafiá-lo.
Até que apareceu aquele que, de tão poderoso, fez com que as armas de Bruno desaparecessem. E agora ele era ferido incessantemente pelos golpes dessa arma criada, especialmente, para ferir quem acreditava nos sonhos.

sábado, 3 de julho de 2010

amaDOR

Por Marlon Vila Nova

Logo que ele levantou da cama hoje, sabia que não seria um dia normal. Sua rotina permanecia imutável, mas ele sabia que algo estranho aconteceria. O que ele sentia era mais que uma sensação, era mais que suas aflições cotidianas. Aquele incômodo que ele sentia no peito estava mais forte que o normal. E doía. Tanto que a dor era quase tangível. Ele mal conseguia respirar.
E foi no meio do dia, quando uma notícia ruim veio à tona, que ele decidiu acabar com tudo. Quando enfim a coragem o permitiu perfurar seu peito com o punhal mais afiado, tudo acabou. De seu peito caiu algo pequeno que não parava de inchar. Aquele coração que crescia sem parar começou a tomar dimensões tão grandes que não cabia mais no peito dele. Nem em casa. Nem na rua.
Só depois de ter segurado forte em seu suposto coração, ele percebeu que voava pra longe da Terra, pra longe de tudo. E que conseguiria viver ali pra sempre. Completamente sem dor.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...